O governo de Barack Obama pediu à Suprema Corte dos Estados Unidos que conceda imunidade ao papa Bento 16 e a outros dirigentes da Igreja Católica nos julgamentos de padres acusados de pedofilia nos Estados Unidos.
O Supremo americano analisa um recurso contra a decisão de uma Corte de Apelações, que suprimiu a imunidade do Vaticano no caso de um padre acusado de pedofilia no Oregon.
Os nove juízes do Supremo pediram a opinião do governo Obama, como fazem regularmente nos casos que afetam as relações diplomáticas.
Os juristas da Casa Branca recomendaram ao Supremo que "anule a decisão" da Corte de Apelações.
O Vaticano rejeita qualquer pedido de convocação de Bento 16 ou de seus cardeais para depor nos tribunais americanos.
O caso em questão envolve uma vítima que teria sido abusada sexualmente na década de 60, em Portland, por um padre já acusado de pedofilia na Irlanda e, posteriormente, em Chicago.
A vítima acusa o Vaticano de não ter expulso ou adotado qualquer outra sanção contra o padre, apesar de ter conhecimento das denúncias de pedofilia.
Nos EUA, as maiores autoridades do Vaticano, incluindo o papa, então cardeal Joseph Ratzinger, também teriam encoberto o reverendo americano Lawrence Murphy, acusado de abusar sexualmente de 200 crianças surdas.
No Canadá, o ex-bispo católico Raymond Lahey, que já tinha sido acusado de armazenar pornografia infantil, está sendo processado agora por agressão sexual pela Justiça. Ele renunciou em setembro a seu cargo da diocese de Antigonish, em Nova Scotia (leste).
Crise
A Igreja enfrenta uma de suas mais graves crises, após uma sucessão de denúncias de abusos físicos ou sexuais de religiosos em vários países.
Na Europa, muitas alegações de acobertamentos de abusos sexuais envolvem Munique, na época em que o papa foi arcebispo da cidade, entre 1977 e 1981. Grupos de vítimas pedem ainda informações sobre as decisões tomadas pelo papa na época em que dirigiu o departamento doutrinal do Vaticano, entre 1981 e 2005.
No México, o fundador da congregação Legionários de Cristo, o falecido padre Marcial Maciel, é acusado de cometer abusos contra jovens seminaristas durante décadas.
No Chile, Fernando Karadima Fariña, ex-pároco da Igreja do Sagrado Coração de Jesus da Floresta, de Santiago, está sendo investigado por autoridades judiciais e eclesiásticas após denúncias de abusos sexuais, segundo informações do cardeal Francisco Javier Errázuriz.
O Vaticano reconheceu ainda os abusos cometidos por dois monsenhores e um padre do município de Arapiraca, a 130 quilômetros de Maceió (AL). Eles foram acusados de pedofilia por integrantes de um coro e por seus familiares.
Analisando a reação do Vaticano ao escândalo de pedofilia em diversos países do mundo, especialistas afirmam que a instituição deve mudar de comportamento, passando a ser cada vez mais transparente, para sua própria sobrevivência.
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